quinta-feira, 9 de julho de 2026

O quão absurdo é a perda de um amigo

 


Amigo Bratz, esse mês completará um semestre, desde sua partida e ainda não assimilei. Confesso que tenho tido pouca inspiração em escrever. A perda da minha mãe, em 2021, foi algo extremamente destrutivo, mas por alguma razão me remete ao ciclo natural da vida. Perder um amigo, pelo menos pra mim, não entra em nenhum tipo de ciclo natural.

Tenho tido insônia e trocado o dia pela noite. Ando com crises de ansiedade e há um cachorro na casa da vizinha que late de madrugada, às vezes, acordando a todos. Já tentei resolver, de forma diplomática, por enquanto sem sucesso. Vamos aguardar a dona criar consciência. 

Enquanto sem sono, fui procurar um texto baseado na obra de Albert Camus, sobre o " absurdo " e pensei em conversar com você. Infelizmente, a ficha cai, mesmo que na marra, nessas horas. 

Conversei com Fred, da blogsville, esses dias, pelo Instagram. É sempre bom voltar a conversar com quem tem amigos em comum conosco. Falei sobre sua partida e ele não sabia. Talvez por seu afastamento de todos, por questões pessoais ou talvez porque as pessoas andam mais " cada um pro seu canto ".

Pensei em criar um espaço na Blogsville, pra concentrar os autores de blogs que ainda querem escrever. Mesmo nessa plataforma que não soube se adaptar à era dos smartphones. Mexo no Blogger e nada muda, desde 2009, quando comecei a utilizar. Escrever pelo celular é muito ruim e sempre acho que a postagem sairá toda zoada. Então só posto quando estou pelo notebook.

De vez em quando mando mensagem ao Elian. Fico sem graça de parecer chato ou por não saber o que falar pra confortar. Eu ficaria envergonhado em demonstrar qualquer tipo de sofrimento, pra alguém que está sofrendo muito mais que eu, sabe? Passei por algo parecido com meu pai, que parece que queria competir sobre quem sofria mais, na morte da minha mãe e isso foi muito marcante e até desprezível da parte dele. 

Vi no story de Elian que o Edu Caxa foi lhe fazer uma visita. Ver o Edu, mesmo num storie, é quase um evento celeste. Você sabe que a pessoa é extremamente difícil e ensaboada, não é?

Não saio de casa desde março, no meu aniversário. Confesso que não tenho vontade alguma de sair. Meu companheiro ama ficar em casa também e a 99% do que precisamos pode ser pedido via delivery. A violência urbana no Rio passou do nível do aceitável e é um dos maiores motivos pra eu não animar em sair. Além do mais, minha mobilidade piorou. Ganhei peso, depois de usar durante anos alguns anti depressivos, sem contar a Covid que tive. Qualquer saída é um grande desgaste físico. O custo também é uma grande questão. Vivemos no limite, com o salário que ganho ( o suficiente pra manter um mínimo de conforto pra nós dois ). Cada vez que precisamos sair, é sempre um gasto exorbitante, que se pensarmos bem, soa como desnecessário. As últimas vezes que saímos pra fazer algo que não daria pra fazer em casa foi ir ao teatro. Ainda assim, o acesso a cultura está cada vez mais restrito. Assistir a uma boa peça não sai barato. Vou tentar me animar pra mês que vem, quando faremos 8 anos de relacionamento.

Esse final de semana pretendo rever o filme " A insustentável leveza do ser ", que passou a ser um dos meus favoritos, graças a sua indicação.

Descanse em paz, meu amigo. 

Sentimos sua falta.

Blog do Paulo Braccini






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