quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Sobre conhecimento, celebração e utilitarismo

 


Ontem, recebi pelos correios meu diploma de pós graduação em Ciências Humanas. O curso engloba as disciplinas de Sociologia, História e Filosofia, por mais que seja improvável abordar tudo num único curso, eles conseguiram da melhor forma que foi possível. Optei por este curso, pois sempre sonhei cursar pelo menos uma das 3 disciplinas. Em 2021, optei por começar a graduação de Ciências Sociais, depois de ter passado anos me capacitando pro meu " eu corporativo e burocrata ". Mas aí sempre me ficaria a inquietude: não teria sido melhor ter cursado filosofia ou história? Meio que esse curso silenciou um pouco dessa inquietação e me faz pensar em vôos maiores, como um mestrado no futuro. Neste semestre, pretendo terminar a graduação em Ciências Sociais, na qual só está pendente o TCC.

E como divulgar ou comunicar aos próximos esse movimento de estudar humanidade? Num mundo que parece que o conhecimento vale cada vez menos, em que uma pessoa como Olavo de Carvalho, seja guru pra várias pessoas, se orgulhando nunca ter cursado filosofia e de ter um conhecimento raso, flertando com o charlatanismo? E nas redes sociais, se perpetua o discurso de que não é mais preciso estar numa faculdade ou curso técnico pra aprender. Típica narrativa de quem se ressente do aumento de acesso ao conhecimento, que antes não chegava a camadas médias da população ( e que ainda tem muito a avançar ). E daí começam os ataques a universidades públicas e cortes de investimento. Mas antes, quando só os abastados tinham acesso, não havia esse discurso. Curioso, não?

Essa postagem vem de pensamentos repetitivos, até mesmo inconclusivos de discursos que pregam o utilitarismo acima de tudo. Eu tento resistir ao máximo a estas falas, mas parece que sobra muito pouco, pra quem é pobre, do que se contentar com o que é útil e pode ser no mínimo rentável, digamos, pra sobrevivência. E ao postar numa rede social minha conquista, com certeza alguém me perguntaria coisas do tipo :

- E pra que vai servir isso?

- Vai ganhar o que com isso? Aumento de salário?

- Isso é dinheiro jogado fora. Era só ler um pdf gratuito...


E pra perguntas idiotas e rasas, é melhor não responder. Ou ainda melhor: evitar que sejam feitas. Portanto só compartilhei com meus próximos e me poupei de certas reações. 

Ainda há relação com meu perfil profissional, principalmente no Linkedin. Eu vi algumas pessoas comentando que às vezes o excesso num currículo pode até intimidar alguns recrutadores. Podem achar que a pessoa é capacitada demais pra certos cargos ou que o conhecimento acumulado pode fazer com que a pessoa seja uma contestadora, revoltada ou algo do tipo. E desde então, tirei do meu Linkedin essas formações em Ciências Humanas. Devo direcionar pra outra rede, mais específica, o que tenho de conhecimento. Me inscrevi, por exemplo, numa rede chamada Research Gate.

Fiquei feliz ao receber um bolo de nozes da minha melhor amiga, após receber meu diploma. E um bolo, num gesto de afeto, com um café, numa tarde... é algo que preenche essa pessoa aqui, que tenta valorizar o que é simples e as pequenas pausas pra celebrações.







1 comentários:

Nick disse...

Parabéns pela conquista e esse bolo deu água na boca!

 
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